quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Sarkozy discute situação de Betancourt com Bento XVI

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, depois de reunir-se hoje com o papa Bento XVI, disse ter ficado pessoalmente "sensibilizado" com sua primeira audiência no Vaticano desde que assumiu o poder em maio. Os dois discutiram uma série de assuntos, entre eles "o drama dos reféns", numa aparente referência aos esforços da França para conseguir a libertação de Ingrid Betancourt,seqüestrada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Betancourt, que tem dupla nacionalidade francesa e colombiana, foi candidata à presidência do país sul-americano. Ela foi seqüestrada pelos guerrilheiros há cerca de seis anos e Sarkozy tem se empenhado pessoalmente por sua libertação. Oficialmente, o presidente da França foi receber o título de "cônego honorário", concedido pelo Vaticano aos mandatários franceses desde 1593.

Em sua conversa com o papa e num encontro em separado com o secretário de Estado da Santa Sé, Sarkozy discutiu temas de "interesse comum" e o "papel da religião, particularmente da Igreja Católica, no mundo", relatou o Vaticano. Antes da visita, o porta-voz de Sarkozy, David Martinon, lembrou que o Vaticano é "extremamente ativo e influente" na diplomacia mundial. "É um parceiro que conta e é um aliado peso pesado em um grande número de questões", afirmou.

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terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Buraco negro dispara raio da morte contra galáxia vizinha

Qualquer planeta com vida que estivesse no caminho do jato acabaria sendo esterilizado, diz cientista




Associated Press


Composição de imagens mostra as duas galáxias, em vermelho, e o jato defletido, em azul

Nasa-Esa




Composição de imagens mostra as duas galáxias, em vermelho, e o jato defletido, em azul




NOVA YORK - O mais recente ato de violência irracional capturado por uma câmera tem caráter cósmico: um buraco negro em uma "galáxia estrela da morte", emitindo um jato letal de energia e radiação sobre uma galáxia vizinha.






Uma frota de telescópio,s em terra e no espaço, capturou as imagens dessa violência cósmica, que é testemunhada por olhos humanos pela primeira vez, de acordo com análise divulgada pela Nasa na segunda-feira, 17.




"É como um valentão, um buraco negro acertando um soco no nariz de uma galáxia errante", disse o astrofísico Neil deGrasse Tyson, diretor do planetário Hayden de Nova York, que não tomou parte na pesquisa.




Esse soco pode muito bem ser um golpe mortal.






As imagens de telescópio mostram a galáxia agressora emitindo um feixe de partículas letais na direção da porção inferior da galáxia atingida, que tem cerca de 10% do tamanho da fonte do raios.




Ambas estão a cerca de 8 bilhões de trilhões de quilômetros da Terra, girando uma em torno da outra.




A galáxia maior tem um nome científico de vários dígitos, mas foi apelidada de "galáxia estrela da morte" por um dos pesquisadores que descobriram o ataque cósmico, Daniel Evans, do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian.




Dezenas de milhões de estrelas, incluindo aquelas com planetas, provavelmente estão na rota dos raios da morte, disse o co-autor do trabalho, o britânico Martin Hardcastle, da Universidade de Hertfordshire.




Se um planeta como a Terra estiver no caminho do jato, as partículas de alta energia e a radiação arrancariam a atmosfera desse mundo em questão de meses, disse Evans. Quanto à vida que pudesse existir, seria "esterilizada", diz Tyson.




A boa notícia é que a pressão gerada pelo feixe de partículas acabará comprimindo o gás que existe na galáxia atingida. Nos próximos milhões ou bilhões de anos, esse processo levará ao surgimento de novas estrelas.



do site:

http://www.estadao.com.br/vidae/not_vid97801,0.htm

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Peregrinos muçulmanos partem da cidade de Meca no início do haj

Reuters/Brasil Online




Por Jonathan Wright




MECA, Arábia Saudita (Reuters) - A peregrinação anual do haj começou em Meca, nesta segunda-feira, quando centenas de milhares de peregrinos muçulmanos vestiram-se de branco, arrumaram as malas e partiram para ficar em um acampamento montado na periferia da cidade sagrada.




Na região central de Meca, alguns retardatários cumpriram o ritual de dar sete voltas na Caaba, o santuário em formato de cubo para o qual todos os muçulmanos devem voltar-se ao realizar suas orações diárias.




Mais de 1,6 milhão de peregrinos chegaram à Arábia Saudita vindos de outros países para participar do haj, o maior festival religioso do mundo e uma obrigação que todos os muçulmanos precisam cumprir ao menos uma vez na vida caso tenham condições de fazê-lo.




Os peregrinos vindos de dentro da Arábia Saudita somam-se a esse montante, elevando a cifra final para mais de 2,5 milhões de pessoas, o que significa um grande desafio logístico e de segurança para as autoridades do país.




"Temos de ficar atentos ao estado de saúde de peregrinos vindos de alguns países", afirmou o ministro saudita da Saúde, Hamad al-Manei, à TV árabe Al Jazeera, que recebeu autorização para cobrir os rituais neste ano. Em outras oportunidades, o canal foi impedido de transmitir as cerimônias.




"Alguns dos peregrinos estrangeiros não falam árabe. Como há muitas línguas e culturas diferentes, há dificuldades", disse o ministro, em Meca.




O governo afirmou que tomou medidas de precaução contra a gripe aviária. Recentemente, o vírus H5N1, responsável pela doença, matou aves na região de Riad.




Até o anoitecer, todos os peregrinos devem ter chegado a Mina, a leste de Meca, para o primeiro pernoite do itinerário, que os levará de volta a Meca no final desta semana.




Alguns deles caminhavam, carregando suas malas, enquanto outros pegaram ônibus que trafegavam lentamente por entre a multidão. A estrada entre Meca e a cidade portuária de Jidá ficou congestionada devido ao grande número de carros com peregrinos dirigindo-se à cidade mais sagrada do Islã.




Os peregrinos consideram o haj uma afirmação da unidade e da solidariedade muçulmanas. O festival reúne pessoas de diferentes culturas e etnias em nome da crença comum em um deus único.




Muitos deles também afirmam estar buscando perdão por pecados dos quais se arrependeram.




"Um bom haji (peregrino) voltará para casa como uma criança nascida de novo. Todos os seus pecados são lavados", afirmou o professor nigeriano de sociologia Baffa Aliyu Umar, que participa de seu quarto haj.




O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, participará dos rituais deste ano, tornando-se o primeiro líder iraniano a fazer isso.



domingo, 16 de dezembro de 2007

O rio que nos divide

Com a greve de fome pelo São Francisco, d. Luiz personifica dois conflitos: um com o Estado, outro na Igreja


José de Souza Martins*


A greve de fome de dom Luiz Cappio, bispo de Barra, na Bahia, contra a transposição das águas do Rio São Francisco e em favor de sua despoluição e revitalização não decanta as águas do rio, mas decanta a política. Desoculta irracionalidades e dá visibilidade, ainda que pálida, a sujeitos ativos e marginalizados do processo político brasileiro.

Com sua decisão radical, o bispo personifica dois graves conflitos, bem distintos entre si. O primeiro conflito é no interior da Igreja. Apesar de definir seu gesto pelo eufemismo de momento de jejum e oração, tecnicamente é uma opção pelo suicídio, caso não seja atendido. Sem dúvida, a opção do bispo pelo martírio torna politicamente correta até a mais incorreta das causas, que neste caso pode ser correta quanto ao tema político, mas não o é quanto ao método pré-político.

Ao dar seguimento ao projeto depois de sua primeira greve de fome, alega o bispo, Lula e o governo o teriam traído, descumprindo o acordo que com ele fizeram. Essa suposta traição envolve o segundo grave conflito aberto por essa greve de fome. Lula é o chefe de Estado. Ele não governa em nome próprio, mas em nome da lei. Não pode ser desafiado na legalidade do seu mandato. Já o bispo não tem representação política. É o seu carisma que lhe diz que o povo está mal representado pelos políticos e pelos governantes. Os clamores do povo não estariam se traduzindo em atos políticos que tivessem como motivo e objetivo o bem comum. A violência contra o rio seria disso expressão porque violência contra o que o rio representa para as populações ribeirinhas. A disputa pelo rio é uma disputa entre a água da terra de trabalho e a água da terra de negócio, entre o rio do povo e o rio mercadoria.

O presidente da República foi visitado nessa semana pelo presidente e pelo secretário da CNBB, engenheiro de formação, para tratar do caso. Deixou claro aos bispos que está disposto a examinar alternativas, mas essa disposição não implica “abandonar inteiramente o projeto de transposição do Rio São Francisco”. De certo modo derrotada em sua sensata intermediação, a CNBB dirigiu apelo não só aos católicos, mas aos cristãos, para que apóiem o bispo com orações e jejuns. Onde faltou a política entrou a religião e nesse modo de fazer política Lula ganha na formalidade do chefe de Estado, mas perde como governante e político.

Recente artigo do bispo é esclarecedor documento sobre a mentalidade que preside o gesto da greve de fome e a ideologia que aglutina apoios religiosos e políticos pautados pela mesma lógica. Temos nele o reconhecimento de que vivemos num sistema político dual, o do voto formal, de um lado, e o da pressão moral, de outro, duas formas combinadas e antagônicas de participação política nesta sociedade bifronte. O déficit de democracia do poder formal e legal é, por isso, preenchido por essa espécie de poder popular de que a greve de fome é um dos instrumentos. O detalhe de que, após o final da greve anterior, tenha o bispo se confessado amigo de Lula e simpatizante do PT, significa nada menos que seu carisma de algum modo contribuiu para que votos assegurassem que o corrupto poder formal, como ele o retrata em prolixa qualificação, chegasse às mãos do PT e nelas permanecesse. A estratégia da pressão moral, como afirmação de um poder popular paralelo, do legítimo contra o legal, já era prática dos católicos petistas, desde a fundação do partido e eu diria desde antes, desde os primeiros movimentos sociais dessa inspiração, sobretudo nos apoiados pelas pastorais sociais. O abismo que separa o povo do poder e a representação política em boa parte ficcional em que se apóia o Estado brasileiro responde por essa outra ficção criativa e inventiva, mas ineficaz, da sociedade alternativa e do Estado paralelo. Do fundo do lago de Canudos, o profeta Antônio Conselheiro nos governa em silêncio.

A greve de fome do bispo faz do São Francisco um rio sacramental. É, na prática, uma forma extrema e primitiva de dizer que os partidos políticos, sem exceção, se anularam como canais de expressão da vontade popular. Em seu lugar, afirma o gesto do bispo o mandato dos grupos de mediação política que atuam de maneira pré-política na gestação e afirmação da cultura do abismo entre a política como representação e a política como militância cotidiana da ação direta. Vai se constituindo entre nós uma realidade política apoiada na existência de dois parlamentos, o de Brasília e o das ruas. Tendo assumido no início esse bifrontismo como base de seu governo para impor aos grupos populares que o elegeram as razões de Estado, Lula acabou afastando do Estado, ou perdendo na onda das denúncias de corrupção e do mensalão, os organicamente mais ligados à Pastoral da Terra, de que o bispo é emblemático representante.

Nesse distanciamento, o PT perde sua alma católica. Eventual conseqüência dele, a morte do bispo poderá representar sério risco político para o governo e seu partido, como se lê em artigo do frei Pilato Pereira, da Pastoral da Terra: “Os setores de esquerda das igrejas cristãs e os movimentos sociais e populares não mais apoiarão o Lula e o PT...” Mas esses setores também correm sério risco perante a Igreja. Dificilmente convencerão os bispos de que não fizeram do carisma do bispo instrumento de sua militância, em vez de dissuadi-lo em favor de uma tática judicial e política. Os riscos do PT e de Lula, porém, não são tão grandes assim. As pastorais sociais e os que na Igreja se engajaram na militância partidária não desenvolveram uma pedagogia política democrática, voltada para o reconhecimento da democracia na pluralidade dos partidos e no voto como expressão da livre vontade individual. Não deixaram para seus militantes senão a alternativa do único, o PT. Quer queiram quer não queiram, não só dependem das bênçãos do bispo como dependem, também, dos favores do Estado. Sua ambigüidade não democratiza a política nem emancipa a sociedade. Esse é o rio que nos divide.

*José de Souza Martins é professor titular de Sociologia da Faculdade de Filosofia da USP

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