sábado, 2 de fevereiro de 2008

O BATISMO DE JESUS

Lição 05, 03 de Fevereiro de 2008


O BATISMO DE JESUS


TEXTO ÁUREO

E eu não o conhecia; mas, para que ele fosse manifestado a Israel, vim eu, por isso, batizando com água. ( Jo 1.31).


VERDADE PRÁTICA

Assim como Jesus foi batizado para cumprir toda justiça, o cristão deve obedecer às Escrituras para cumprir a vontade de Deus.


HINOS SUGERIDOS: 99 389 e 450


LEITURA BÍBLICA Mateus 3.1-6,13-17.

1 E, NAQUELES dias, apareceu João o Batista pregando no deserto da Judéia,

2 E dizendo: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.

3 Porque este é o anunciado pelo profeta Isaías, que disse:Voz do que clama no deserto:Preparai o caminho do Senhor,Endireitai as suas veredas.

4 E este João tinha as suas vestes de pelos de camelo, e um cinto de couro em torno de seus lombos; e alimentava-se de gafanhotos e de mel silvestre.

5 Então ia ter com ele Jerusalém, e toda a Judéia, e toda a província adjacente ao Jordão;

6 E eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados.

13 Então veio Jesus da Galiléia ter com João, junto do Jordão, para ser batizado por ele.

14 Mas João opunha-se-lhe, dizendo: Eu careço de ser batizado por ti, e vens tu a mim?

15 Jesus, porém, respondendo, disse-lhe: Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça. Então ele o permitiu.

16 E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre ele.

17 E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.


INTRODUÇÃO

O batismo de Jesus é narrado nos quatro Evangelhos: Mateus (3.13-17), Marcos (1.9-11), Lucas (3.21,22) e João (1.31-34). Isso, por si só, constitui forte testemunho de sua importância e singularidade. Entretanto, o Evangelho de João destaca-se dos demais. Em sua narrativa, o apóstolo apresenta o testemunho do Pai a respeito da identidade do Filho, e ainda registra a declaração de João Batista sobre a missão redentora de Cristo (Jo 1,29-34).


Em seu batismo, Jesus foi apresentado como o Filho amado do Pai (Mt 3.17) e Servo do Senhor (Mt 3.17 cf Isaias 42.1). Estudemos, pois, esta valiosa lição.


    I. O PROFETA JOÃO

    1. João, o Batista (vv. 1,2).

Batista” significa “aquele que batiza”. João era chamado de “Batista” porque batizava no deserto da Judéia, nas águas do rio Jordão (Mt 3.1,6; Mc 1.4,5; 6.14). Ele fora escolhido por Deus desde o ventre de sua mãe para realizar uma obra muito especial (Lc 1.15-17): pregar “o batismo de arrependimento, para remissão de pecados” (Mc 1.4), e ordenar a todos que “produzissem frutos dignos de arrependimento” (Mt 3.8). João promovera em seu tempo, em pleno deserto, uma campanha nacional de arrependimento e confissão de pecados.


2. O precursor do Messias (v3).

João estava consciente de sua chamada, missão e identidade (mt 3.11; Jo 1.33; 3.28). Fora ele enviado por Deus para anunciar a chegada do Messias e “testificar a respeito da Luz” (Jo 1.7,8; Mc 1.2,3): “Este é aquele que vem após mim, que foi antes de mim, do qual eu não sou digno de desatar as correias das sandálias... E eu vi e tenho testificado que este é o Filho de Deus” (Jo 1. 27,34). O testemunho de João atestava a infinita superioridade de Jesus.


3. Sua mensagem (vv.2-5).

A mensagem de João tinha por objetivo convencer o povo de seus pecados e os líderes judeus de sua hipocrisia religiosa (Mt 3.7-12). Homens e mulheres eram batizados e instados a produzirem frutos “dignos de arrependimento” (Mt 3.8). Muitos provenientes de Jerusalém, da Judéia e das províncias adjacentes ao Jordão, caminhavam quilômetros atraídos pelo ardor da mensagem do contundente profeta (v5). João era admirado e reconhecido pelo povo (Mc 11.32), porém, tenazmente odiado pela classe dominante (Mc 6.14-29; Rm 10.21).


II. O BATISMO EM ÁGUAS NA BÍBLIA

  1. Entre os judeus.

O batismo em águas já existia em Israel quando João iniciara seu ministério profético no deserto da Judéia. A novidade não estava no ato em si, mas no fato de os judeus também serem submetidos ao batismo. Pois, até então, esse ritual restringia-se aos gentios convertidos ao judaísmo. Para os judeus, somente os pagãos precisavam de arrependimento (Gl 2.15; Mt 3.9). Era por esse motivo que as autoridades judaicas estranhavam o fato de João batizar os descendentes de Abraão (Mt 3.7-9). Todavia a mensagem divina é incisiva: “É necessário nascer de novo” e não somente pertencer a uma nação (Mt 3.9; Jo 3.3).


2. Seu significado.

O batismo é um ritual repleto de significados espirituais, ministrado ao crente como testemunho de arrependimento e de fé nos méritos salvadores de Cristo. No original, o termo batismo significa “orgulho”, “imergir” ou “imersão”. Essa mesma palavra grega foi empregada na Septuaginta e 2 Reis 5.14, referindo-se aos sete mergulho de Naamã no rio Jordão. O sentido de “mergulho”, no ato do batismo também está presente na descrição do apóstolo Paulo em Romanos 6.4,5.


3. O batismo cristão.

O arrependimento e o perdão dos pecados precedem o batismo cristão. João somente batizava àqueles que estivessem disposto a renunciar o pecado e mudar de estilo de vida: “produzi pois frutos dignos de arrependimento” (Mt 3.8; Lc 3.8). Os primeiros convertidos, no dia de Pentecostes, foram batizados justamente porque primeiro receberam a Palavra “de bom grado” (At 2.41). Em lugar algum, o Novo Testamento ensina que o batismo é eficaz para ministrar a salvação, ou transmitir “graças espirituais” ao batizado. Embora ineficaz para a salvação da alma, o batismo é uma ordenança divina que deve ser cumprida cabalmente por todos os cristãos (Mt 28.19,20; Mc 16.16), pois atesta a obra salvífica já realizada na vida dos que crêem.


III. O BATISMO DO SENHOR JESUS

    1. Jesus é superior a João Batista (v.14)

Em razão de de reconhecer o senhorio e a impecabilidade de Cristo, João recusou-se a batizá-lo (Jo i.29; 3.31). A Bíblia revela que “João opunha-se-lhe, dizendo: Eu careço de ser batizado por ti, e vens tu a mim?” (v.14).

No original, o verbo traduzido por “opor-se”, significa “impedir enérgicamente”. Isto significa que João recusou-se ardorosamente a batizar o Senhor Jesus. Ele dizia, e com toda razão, necessitava ser batizado por Ele, e não o contrário. Assim como João muitos ainda hoje ficam perplexos com o batismo de Jesus, uma vez que Ele não tinha pecado e, portanto, não necessitava de arrependimento e confissão.


    2. Em seu batismo, Jesus cumpriu toda a justiça (v.14).

Há os que pensam que Jesus insistiu em ser batizado para que a igreja seguisse seu exemplo. Outros imaginam que o objetivo de Jesus era de endossar o ministério de João. Porém, o verdadeiro propósito era cumprir “toda a justiça” de Deus: “Porque assim nos convém cumprir toda a justiça” (v.15). É oportuno salientar que o pronome oblíquo “nos” não se refere apenas a Jesus e João, mas a todos os que se submetiam ao batismo. Assim, mesmo sem ter cometido qualquer pecado (2 Co 5.21), o Senhor Jesus identificou-se com a massa pecadora (Gl 3.13; Hb 2.17), por meio do batismo.


3. Descida do Espírito Santo sobre Jesus (v.16).

Em Gêneses 1.2, a Bíblia afirma que o Espírito de Deus "flutuava" ou "voava" "sobre a face das águas". No original, o verbo "movia", significa "pairava", "flutuava", "voava". Traduz a idéia de "cobrir os filhotes com as asas", indicando "preservação", "criação" e "cuidado".


No dia de Pentecostes, o Espírito desceu como vento e fogo sobre os discípulos (At 2.2-4). entretanto, foi "em formo corpórea, como pomba" (Lc 3.22) que o Espírito de Deus pousou sobre o Senhor Jesus, visto que não possuía qualquer pecado para ser consumido. A pomba, como símbolo do Espírito Santo, representa pureza, simplicidade e mansidão.


4. O testemunho do Pai (v.17).

Assim que Jesus saiu da água uma voz bradou dos céus dizendo: "Este é meu Filho amado em quém me comprazo" (v.17). Agora não era mais o testemunho de João Batista (Jo i.29; Lc 3.16), mas a certificação pública do próprio Pai. Duas importantes profecias messiânicas cumpriram-se nessa afirmação: Sl 2.7 e Is 42.1.


Os evangelhos não afirmam categoricamente se todos os presentes ouviram "a voz dos céus". Contudo, é possível que de fato tenham ouvido. Mateus, entretanto, ao narrar o ministério público de Jesus, tornou claro o que está implícito nas palavras celestes.


CONCLUSÃO

Os quatro Evangelhos a asseveram que Jesus foi batizado por João. O batismo de Senhor revela sua plena identificação com a humanidade. Assim, pelo batismo nas águas, nós também somos identificados com Ele na sua morte e ressurreição (Rm 6.4).



Cópia do Comentário da lição supra citada. Das Lições Bíblicas CPAD





Costa



sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

O Código da Bíblia (ou do Torah)


O Código da Bíblia (ou do Torah) é um código que se alega ter sido intencionalmente embutido na Bíblia. É revelado através da busca de seqüências de letras eqüidistantes (SLE). Por exemplo, comece com qualquer letra ("N") e leia a cada enésima letra ("D") a partir daí no livro, desconsiderando os espaços. Se um livro inteiro como o Gênesis for pesquisado o resultado é uma longa cadeia de letras. Usando diferentes valores para "N" e "D" é possível gerar várias cadeias de letras. Imagine enrolar a cadeia de letras ao redor de um cilindro, de forma que todas elas possam ser exibidas. Achate o cilindro para revelar várias linhas com colunas de comprimento igual, talvez com exceção da última, que pode ser mais curta que as demais. Agora, procure por nomes significativos próximos a datas. Procure na horizontal, vertical diagonal, de qualquer forma. Um grupo de matemáticos israelenses fez exatamente isso e afirmou que, quando procuraram por nomes bem próximos a datas de nascimentos e mortes (conforme publicado na Enciclopédia dos Grandes Homens de Israel), encontraram várias coincidências. Doron Witztum, Eliyahu Rips e Yoav Rosenberg publicaram suas descobertas na revista Science (1994, Vol. 9, No. 3, 429-438) Statistical sob o título de "Seqüências de Letras eqüidistantes no Livro de Gênesis." O editor da revista comentou:




Quando os autores usaram um teste de aleatorização para verificar o quão raramente os padrões que encontraram poderiam surgir por puro acaso, obtiveram um resultado altamente significativo, com a probabilidade p=0,000016. Nossa comissão julgadora ficou perplexa: suas crenças prévias os faziam achar que o Livro de Gênesis não poderia conter referências significativas a indivíduos dos tempos modernos. Mesmo assim, quando os autores realizaram análises e verificacões adicionais, os efeitos persistiram.



Isto é, as probabilidades de se obter os resultados que eles conseguiram eram de 16 em um milhão, ou uma em 62.500. Os autores declaram: "A análise de aleatorização demonstra que o efeito é significativo no nível de 0,00002 [e] a proximidade das SLEs com significados associados no Livro de Gênesis não se deve ao acaso." Harold Gans, ex-criptologista do Departamento de Defesa dos EUA, duplicou o trabalho da equipe israelense e concordou com sua conclusão. Witztum mais tarde afirmou que, conforme uma das medidas, a probabilidade de se obter esses resultados por sorte é de uma em 4 milhões. No entanto, aparentemente mudou de idéia e atualmente afirma que a probabilidade é p=0,00000019 (uma em 5,3 milhões). Jason Browning, cientista da criação, afirma que os cinco primeiros livros da Bíblia contêm padrões ocultos de palavras que "se demonstraram ser matematicamente impossíveis de ocorrer por acaso." Não cita quem fez os cálculos para ele.




Como prova adicional do significado estatístico de seus resultados, a equipe israelense analisou a versão hebraica do Livro de Isaías e os primeiros 78.064 caracteres de uma tradução hebraica de Guerra e Paz de Tolstoi. Encontraram vários nomes bem próximos a datas de nascimentos e mortes, mas os resultados não eram estatisticamente significativos. (O Livro de Gênesis usado no estudo, a versão Koren, tinha 78.064 caracteres.)




O que quer dizer tudo isso? Para alguns isso significa que os padrões em Gênesis são intencionais e que Deus é o autor supremo do código. Se for assim, será que o Livro de Isaías, e qualquer outro livro da Bíblia que não passar no teste das SLE, deve ser descartado? Será que devemos concluir que essas estatísticas confirmam a afirmação de que os judeus são o povo escolhido de Deus e que mais nenhum nome deveria ser acrescentado à lista dos Grandes Homens de Israel, exceto se passar no teste das SLE? A não ser que as outras religiões possam duplicar resultados estatisticamente improváveis como esses, o sobrenaturalista entendido em matemática pode muito bem considerá-las imposturas. Será que devemos traduzir todos os livros sagrados de todas as religiões do mundo para o hebraico e ver quantos grandes homens de Israel estão codificados neles? Muitos de nós estão confusos sobre o que fazer desses números espantosos.




Um computador pode mesmo ler a mente de Deus? Aparentemente sim, já que segundo essa teoria Deus teria ditado em sua linguagem favorita, o hebraico, um conjunto de palavras que são mais ou menos inteligíveis se interpretadas ao pé da letra, contendo histórias de criação, dilúvios, fratricídio, guerras, milagres, etc., com várias mensagens morais. Mas esse Deus hebreu escolheu as palavras cuidadosamente, codificando a Bíblia com profecias e mensagens sem absolutamente nenhum valor religioso.




Muitos, no entanto, não estão totalmente perdidos. Alguns "cientistas da criação" cristãos estão afirmando que o Código da Bíblia oferece prova científica da existência de Deus. Se eles estiverem corretos, deveriam se converter ao judaísmo. Como já é judeu, Doran Witztum não pode fazê-lo, mas levou o trabalho feito em Gênesis um pouco além do que fizeram seus colegas. Witztum foi à televisão israelense e afirmou que os nomes dos sub-campos num mapa de Auschwitz apareciam de forma espantosamente próxima à frase "em Auschwitz". As probabilidades de que isso ocorresse, segundo ele, são de "uma em um milhão." Alguns de seus alunos fizeram os cálculos e afirmaram que seu mentor errou por "um fator de 289.149." A matemática de Witztum pode não ser tão boa quanto suas intenções, mas é difícil enxergar que intenções poderiam ser essas. Será que Deus estaria de uma forma estranha revelando que os sub-campos de Auschwitz ficam em Auschwitz?




Michael Drosnin e admiradores de seu livro popular, O Código da Bíblia, estão afirmando que a decodificação do livro leva à descoberta de profecias e verdades profundas de natureza secular, nem todas relacionadas aos judeus. Drosnin alega que a Bíblia é o único texto em que frases codificadas como essas são encontradas num padrão estatisticamente significativo, e que as chances de que isso seja um fenômeno aleatório são poucas. Usando o método das SLE, Drosnin afirma que o assassinato de Yitzhak Rabin estava predito na Bíblia. Também afirma que os assassinatos de Anwar Sadat e dos irmãos Kennedy estão codificados em SLE bíblico. Pelo menos alguém descobriu um propósito realmente útil para os computadores: fazer análises de SLE de textos bíblicos em busca de mensagens ocultas de natureza secular. Quebra-cabeças aprecia o Senhor!




Nem todos concordam com a hipótese de Drosnin, inclusive Harold Gans, o criptologista aposentado do Departamento de Defesa que corroborou os trabalhos de Witztum, Rips e Rosenberg. Gans publicou uma declaração a respeito de O Código da Bíblia e outros livros similares. Em parte da declaração se lê




O livro declara que os códigos no Torah podem ser usados para prever eventos futuros. Isso é absolutamente infundado. Não há nenhuma base científica ou matemática para uma declaração como essa, e o raciocínio usado para se chegar a tal conclusão é logicamente falho. Embora seja verdadeiro que se demonstrou que alguns eventos históricos estão codificados no Livro de Gênesis em determinadas configurações, é absolutamente uma inverdade que toda configuração similar de palavras "codificadas" necessariamente represente um evento histórico em potencial. Na verdade, o que ocorre é exatamente o oposto: a maioria dessas configurações é bem aleatória e de ocorrência esperável em qualquer texto de tamanho suficiente. O Sr. Drosnin declara que sua "predição" do assassinato do primeiro ministro Rabin é "prova" de que o "Código da Bíblia" pode ser usado para se prever o futuro. Um sucesso isolado, não importa o quão espetacular seja, ou mesmo várias predições "bem sucedidas" desse tipo, não provam absolutamente nada a não ser que sejam formuladas e avaliadas sob condições cuidadosamente controladas. Qualquer cientista de respeito sabe que provas "testemunhais" nunca provam nada.



O Dr. Eliyahu Rips, um dos autores do estudo que iniciou a febre do Código da Bíblia, também fez uma declaração pública a respeito do Código da Bíblia de Drosnin.




Não apóio os trabalhos do Sr. Drosnin, nem as conclusões a que ele chega.... Todas as tentativas de se extrair mensagens dos códigos do Torah, ou de se fazer predições baseadas neles são fúteis e não têm qualquer valor. Essa não é apenas minha opinião pessoal, mas a de todo cientista que já esteve envolvido em pesquisas sérias dos Códigos.



O professor Menachem Cohen, celebrado estudioso da Bíblia da Universidade Bar-Ilan, criticou Witztum et al. em dois pontos: (1) há várias outras versões em hebraico do Gênesis para as quais as SLE não produzem resultados estatisticamente significativos; e (2) as denominações dadas aos Grandes Homens de Israel foram inconsistentes e arbitrárias. O professor tem bons argumentos mas talvez isso apenas prove que a versão Koren seja a correta e que as denominações escolhidas sejam as mais adequadas para aqueles grandes homens de Israel.




Outros críticos, como Brendan McKay, fizeram suas próprias análises de Guerra e Paz, com resultados consideravelmente diferentes dos relatados por Witztum et al. Muitos dos críticos, no entanto, pouco fizeram além de usar SLEs para encontrar nomes, datas, etc., em diversos livros, feitos que mesmo o estatístico mais pobre sabe serem corriqueiros. Porém, Drosnin parece ter pedido por isso quando disse "Quando os meus críticos encontrarem uma mensagem sobre o assassinato de um primeiro ministro codificado em Moby Dick, eu acreditarei neles." McKay prontamente apresentou uma análise SLE de Moby Dick predizendo não apenas o assassinato de Indira Ghandi, mas os de Martin Luther King, John F. Kennedy, Abraham Lincoln, e Yitzhak Rabin, assim como a morte de Diana, Princesa de Gales. O matemático David Thomas fez uma SLE de Genesis e encontrou as palavras "code" [código] e "bogus" [falso, fictício] juntas não só uma, mas 60 vezes. Quais as chances disso acontecer? Será que isso significa que Deus introduziu um código para revelar que não há nenhum código? Os caminhos do Senhor são de fato misteriosos.




Veja verbetes relacionados sobre adivinhação, cabala e numerologia.


leitura adicional



Thomas, David E. "Hidden Messages and The Bible Code [Mensagens Ocultas e O Código da Bíblia]," Skeptical Inquirer, Novembro/Dezembro de 1997.




Witztum, D., E. Rips e Y. Rosenberg, "On Equidistant Letter Sequences in the Book of Genesis" [Sobre as Seqüências de Letras eqüidistantes no Livro de Gênesis], Statistical Science, 9 (1994), 429-438.



©copyright 1998
Robert Todd Carroll

traduzido por
Ronaldo Cordeiro


http://skepdic.com/brazil/codbib.html

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Porque deixei de ser "Cristão"


Jesus não era cristão, e que nem tampouco quis Ele fundar o Cristianismo, nem mesmo teve interesse em algo que se assemelhasse à civilização cristã, conforme nós a conhecemos de 332 de nossa era até hoje.


Jesus criou o caminho da fé na graça e no amor de Deus, o que deveria ser algo livre como o vento, e vivo e móvel como a água, algo muito, mais muito longe de uma proposta religiosa.

Tudo o que Jesus queria era que os discípulos continuassem discípulos, e que os apóstolos fossem os servos de todos; sem haver nem alguém maior, e muito menos, um lugar mais santo ou um centro de poder.

Jesus esperava que o poder do Espírito os fizesse sair em desassombro pelo mundo, pregando a Palavra da Boa Nova, ensinando singelamente os discípulos a serem de Jesus em suas próprias casas e culturas. Desse modo, se teria sempre um movimento hebreu, crescente, progressivo, livre, guiado pelo Espírito, e complemente semelhante ao que eles haviam vivido com Jesus durante o Caminho, naqueles três anos de estrada que construíram o Evangelho ao ar livre, nas praias da Galiléia, nos desertos da Judéia, nas passagens por Samaria, nas terras de Decápolis, e nos confins da Terra.

Alguém, com razão, diria que tal projeto não seria possível, visto que ninguém consegue viver sem um centro de poder. Entretanto, parece que ainda não se discerniu que o convite de Jesus é contrário a toda lógica de poder, e não propõe nada que não seja Hoje, e que não obriga a ninguém a pavimentar o futuro de Deus na Terra mediante a construção de alguma coisa duradoura.

Para Jesus, o duradouro era justamente aquilo que não se poderia pegar, nem fixar, nem pontuar, nem ser objeto de visitas turísticas, dada a sua impermanência num chão marcado pelas urinas dos mandões. Ele esperava que os discípulos fossem como o Mestre, e que aqueles anos de Caminho não ficassem cristalizados nas páginas dos registros dos evangelhos, mas que se tornassem um modo de ser de seus discípulos.

O poder dos discípulos, paradoxalmente, está em não ter poder. E o convite para que se morra a fim que se tenha vida, é também válido para a igreja, que - ao contrário do discípulo - quer mandar na vida, e controlar os homens e o mundo. Assim, pretendendo salvar a sua vida neste mundo, a igreja não só perde a sua própria vida, mas deixa de ganhar o mundo.

O que Jesus queria era uma multidão de seres-sal-e-luz se espalhando pela terra, e, se diluindo em sabores e luzes que só seriam sentidas, mas jamais se tornando uma Salina ou uma Usina de luz cristã, a serem visitadas pelos curiosos.

O reino é como o fermento escondido... até que pervade toda a massa da humanidade... sem ninguém saber como... e sem que ninguém possa dar glória a mais ninguém, se não ao Pai que está nos céus.

Aliás, a proposta de Jesus é tão extraordinária, que a vontade de aparecer não pode resisti-la. O sal, por exemplo, foi usado por Jesus como metáfora desse ‘desaparecimento’ da igreja na terra. Tudo ao que Ele associa a metáfora do sal é ao sabor, e nada mais. O sal tem que ter sabor, se não já não presta para nada. E para que o sal salgue e dê sabor, de fato, ele tem que se dissolver nos elementos que recebem o seu benefício. O sal só salga quando morre como sal visível e se torna apenas gosto, presença, tempero, realidade e benefício, embora ninguém possa dizer onde ele está, podendo apenas dizer: ele está na panela. Mas onde?

Já a Luz do mundo — vós sois! —, deveria ser a ação contínua da bondade e da misericórdia, de modo discreto, porém pleno de efetividade; de tal modo que os “de fora”, que ao receberem os benefícios da luz, podem discerni-la como boas obras, e assim, eles mesmos, agradeçam a Deus pelos filhos da misericórdia que Ele espalhou pela terra.

O que Jesus propõe como simplicidade total, entretanto, logo deu lugar às complexidades regimentais e aos centros de poder. Mesmo dizendo “tal não é entre vós”— referindo ao poder de governar dos reis e autoridades —, o que se criou desde bem logo foi aquilo que era comum, não o que era completamente incomum.

Na realidade, quem entendeu o Evangelho e seu significado, sabe que o Cristianismo se tornou uma perversão da proposta de Cristo, transformando o Evangelho puro e simples numa religião, com Dogmas, doutrinas, usos, costumes, tradições com poder de imutabilidade e muita barganha com os homens, em franca e pagã manipulação do nome de Deus.

No Cristianismo, Deus tem Seus representantes fixos e certos na terra—o clero, seja ele Católico ou Protestante—, tem Suas doutrinas e Dogmas escritos por concílios de homens patrocinados por reis, e tem na sabedoria deste mundo seu instrumento de elaboração de Deus: a teologia.

Desse modo, no Cristianismo, “Deus” não passa de uma ‘potestade religiosa’ e de um poder mantido pelos homens, posto que se crê que sem o Cristianismo, Deus está perdido no mundo.

O mundo conheceu o Cristianismo, mas não teve muita chance de conhecer o Evangelho, conforme Jesus e segundo as dinâmicas livres e libertadoras do caminho, de acordo com as narrativas dos evangelhos, nas quais o único convite que existe é para se “seguir” a Jesus.



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MACUMBA EVANGÉLICA Parte 01 a 10